A inserção da comunidade negra e LGBT na política

As últimas eleições para o Parlamento do Reino Unido terminaram em 8 de junho de 2017 com um saldo positivo para a representatividade LGBT na política.Foram eleitos 45 membros do parlamento, 19 do partido Conservador, 19 do Trabalhista e outros sete do Partido Nacional Escocês - um recorde para a Casa.Na Irlanda, um país tradicionalmente católico, um filho de imigrantes e gay assumido, Leo Varadkar, foi recentemente escolhido pela população como o novo primeiro-ministro.
Nos Estados Unidos, americanos abertamente LGBT participam de gabinetes políticos desde 1974, quando Kathy Kozachenko foi eleita em Ann Harbor, Michigan. Atualmente, sete membros do Congresso norte-americano identificam-se como gays ou bissexuais, segundo levantamento do site NPR.

No Brasil, palco de uma das maiores manifestações de Orgulho LGBT do mundo, gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros ainda estão longe do poder político. Na Câmara dos Deputados, há apenas um representante da diversidade: Jean Wyllys (PSOL-RJ), figura constantemente atacada por colegas conservadores de parlamento.

“Nenhuma democracia pode se considerar uma democracia se direitos de gays, lésbicas e transexuais não forem observados e promovidos de alguma maneira, se houver discriminação jurídica, se as leis não protegerem os direitos desses cidadãos”, afirmou o deputado em entrevista na TV Brasil, ao constatar que as políticas públicas para este grupo avançaram muito pouco nas últimas duas décadas.
A representatividade da comunidade LGBT dentro da política brasileira tem sido sempre atravancada por políticos de diversas escalas de poderes com o discurso de preservar a família tradicional brasileira e os bons costumes e que tais comportamentos não  são normais e muito menos aceitáveis. E mesmo diante do crescimento da frente da causa no país,esses ideais ainda continuam fortes e encontrando apoio de grande parte da sociedade que compactuam com tais pensamentos.
                 Falta representatividade dos negros na política brasileira. A constatação foi consenso entre os participantes da audiência pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) em 5 de abril deste ano sobre o protagonismo negro nas quatro esferas de Poder.Para o autor do requerimento da reunião, senador Paulo Paim (PT-RS), há predominância de brancos na política brasileira e isso reflete de forma negativa nas ações afirmativas em prol do protagonismo negro.
- Queremos saber como será a participação da comunidade negra no fundo partidário. A pobreza tem cor. O negro, geralmente, não tem estrutura financeira para se candidatar e se eleger - argumentou.
O presidente do Núcleo de Pesquisas Clóvis Moura da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Tadeu Kaçula, citou dados para demonstrar a pouca representatividade negra nas esferas do poder no país.
- Dos 513 deputados federais, 24 são negros. Dos 81 senadores, três são negros. Dos 5.570 prefeitos, 1.604 são negros. Dos 57.838 vereadores, 24.282, são negros. Dos governadores dos estados e do DF, nenhum é negro. Dos ministros do STF, nenhum é negro. Não dá mais para deixar de discutir e participar, sobretudo diante do cenário político em que vivemos - afirmou.

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